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Durante o horário comercial, ela veste seu uniforme branco no trabalho. Durante o fim de semana, veste branco no terreiro.

Fé na ciência e nas palhas de Obaluaê

Durante o horário comercial, ela veste seu uniforme branco no trabalho. Durante o fim de semana, veste branco no terreiro. Dandara Araújo de Souza, 25, há quatro renasceu para seu pai Obaluaiê no candomblé Ketu.

Dandara atua como supervisora na farmácia em que trabalha há três anos, ajudando e instruindo clientes com medicamentos. Por coincidência (ou não), ela é filha do orixá da saúde e da cura.

Para Dandara, a ciência e a fé podem caminhar muito bem lado a lado: "A gente não pode deixar de ter fé, mas também não pode deixar de cuidar do nosso lado material. Nem tudo é espiritual e nem tudo é só material", afirma fazendo uma comparação com os remédios com que lida no dia a dia para explicar: "Não tem como você só se tratar hoje a base de chá e não tomar o seu Losartana - remédio para controlar a pressão arterial - da pressão, porque você vai passar mal".

"Desde pequena fiquei encantada com os orixás, com a parte bonita que muita gente não conhece por só ver o lado obscuro que eles acham que [a religião] tem", conta Dandara Araújo de Souza, que conheceu a o candomblé por intermédio de sua mãe, que tem o cargo de mãe de santo.

Apesar de viver na zona oeste do Rio de Janeiro, um dos estados com o maior índice de crimes de intolerância religiosa do Brasil (segundo dados do Disque 100, serviço de denúncias sobre violações de direitos humanos), a jovem conta que não tem problemas em falar sobre sua fé no ambiente de trabalho. Quando é necessário seu recolhimento para suas obrigações religiosas, seu pedido é acolhido e respeitado.

Ao contrário de Dandara, muitos não puderam contar com o respeito no dia a dia: segundo dados do ISP (Instituto de Segurança Pública), em 2020 no Rio de Janeiro foram registradas 1.355 ocorrências de crimes que podem estar relacionados à intolerância religiosa, um total de mais de três casos por dia.

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EDILANA DAMASCENO, DO DATA LABE COLABORAÇÃO PARA ECOA, DO RIO DE JANEIRO (RJ)