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Maioria no candomblé, jovens lidam com preconceito no trabalho e usam saber milenar em suas profissões

Juventude e trabalhos

Existe um ditado iorubá que diz: "Exu matou um pássaro ontem com uma pedra que só jogou hoje". O ditado fala, principalmente, sobre a capacidade da força ancestral de reinventar e atravessar o passado e a história. Exu, no caso, é um dos principais orixás do candomblé. Ele é uma divindade de origem africana, que tem o papel de mensageiro entre os seres humanos e as divindades

As religiões de matriz africana, trazidas ao Brasil pelos africanos escravizados, ganham novo sentido e perspectivas no século 21 ao serem resgatadas por jovens que decidiram se conectar ao sagrado. Essas religiões — que incluem umbanda, candomblé, tambor de crioula, jarê e outras — são praticadas principalmente por jovens. Apenas 2% dos umbandistas e candomblecistas possuem 60 anos ou mais, segundo dados de pesquisa feita em 2020 pelo instituto Datafolha.

32% dos praticantes de religiões de matriz africana têm entre 16 a 24 anos, tornando candomblé, umbanda e outras religiões afro-brasileiras as mais "jovens" entre as formas de fé do nosso país. Segundo a mesma pesquisa DataFolha, mais da metade dos evangélicos entendem o candomblé e a umbanda como uma religião com valores totalmente diferentes dos seus. As religiões evangélicas são as que mais crescem no país. Para muitos jovens profissionais de axé, inclusive, a sabedoria ancestral dos terreiros é uma ferramenta nos desafios do dia a dia de trabalho, como explica o professor universitário Rennan Piedade:

"Essa noção egbé (sociedade ou grupo) que a gente trata de comunidade, ela é uma sala de aula. Não tem nem como descolar uma coisa da outra na minha vida". Para o educador, é fácil relacionar os dois espaços; unir suas duas paixões: o candomblé e a educação. "Entendo a sala de aula como uma roda, entendo o texto que está sendo lido como uma cantiga que precisa ser sentida por todos", conta Renan.

Ecoa conversou com quatro jovens candomblecistas de origem periférica para entender como essas religiões os ajudam a lidar com o preconceito e a intolerância no ambiente de trabalho.

EDILANA DAMASCENO, DO DATA_LABE COLABORAÇÃO PARA ECOA, DO RIO DE JANEIRO (RJ)