Quando os recursos da instituição religiosa passam a circular pela conta bancária vinculada ao CPF do pai ou da mãe de santo, eles deixam de estar separados da vida financeira pessoal. Salário, aposentadoria, transferências familiares, compras particulares e o dinheiro do terreiro passam a fazer parte da mesma movimentação bancária.
Depois de tudo o que foi dito nesta série, a verdade ficou mais clara: o povo de terreiro sofre com a intolerância religiosa, mas também sofre com a própria desorganização. E enquanto essa realidade não for encarada com sinceridade, muita coisa continuará se repetindo.
Muita gente acredita que sabe se defender. Mas, quando o problema chega, descobre que saber reclamar não é a mesma coisa que saber agir.
Diante de uma agressão, é comum a revolta aparecer primeiro. A pessoa grava vídeo, faz postagem, pede ajuda, marca conhecidos, cobra autoridades e se desespera. Tudo isso pode até fazer parte do momento, porque ninguém está preparado emocionalmente para ver sua fé atacada