Não podemos aceitar que o Estado dite as regras do nosso destino através de cartilhas paliativas enquanto nos mantém à margem das políticas públicas. A verdadeira inclusão social não virá de um decreto de Brasília; ela nasce da nossa capacidade de organização e da nossa consciência participativa, sua participação é a única solução real.
O recente lançamento do "Guia de Direitos dos Povos de Matriz Africana", ocorrido em Brasília, tem sido celebrado nos gabinetes oficiais como uma vitória histórica. No entanto, para quem está no chão do terreiro, em São Miguel Paulista ou em qualquer periferia do Brasil, a pergunta que fica é: até quando seremos alimentados apenas com cartilhas e manuais?
O dia 21 de janeiro não nasce de uma celebração, mas de uma tragédia. A data foi instituída em memória de Mãe Gilda de Ogum, ialorixá baiana que enfartou em 2000 após ter seu terreiro invadido e sua imagem vilipendiada por grupos de intolerância.