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CONVERSA DE TERREIRO: ATÉ QUANDO VAMOS ACHAR QUE SE ORGANIZAR É TRAIR A FÉ?

  • Foto do escritor: Redação Jornal do Axé
    Redação Jornal do Axé
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura
Mãe de santo

A regularização dos terreiros não enfraquece a espiritualidade. Ela fortalece a proteção jurídica, garante direitos e ajuda a preservar o sagrado para as futuras gerações. Todos os dias, em algum lugar do Brasil, terreiros de Umbanda e Candomblé enfrentam denúncias, fiscalizações inesperadas e questionamentos sobre suas atividades religiosas.

O que antes se manifestava de forma explícita, muitas vezes por meio da intolerância aberta, hoje surge disfarçado de exigências burocráticas e obstáculos administrativos. Diante dessa realidade, ainda existe quem acredite que organizar um terreiro administrativamente seja algo contrário à tradição ou aos fundamentos da fé.

Mas será que essa visão realmente protege nossas casas? Pense que é dia de obrigação e está lindo, o toque está preparado, os filhos de santo concentrados e o axé correndo solto. De repente, a campainha toca. Não é um consulente. É uma viatura da fiscalização municipal, ou a polícia batendo à porta porque um vizinho incomodado fez uma denúncia anônima de "perturbação do sossego".

Denuncia

O estômago gela, não gela? Infelizmente, você sabe tão bem quanto eu que essa cena não é ficção. Ela acontece toda semana em algum canto do Brasil. E a primeira reação de muitos dos nossos dirigentes é o medo, a indignação ou o sentimento de impotência.

A gente se pergunta: "Por que tanta perseguição com o nosso sagrado?"


A resposta dói, mas precisa ser dita: o racismo religioso mudou de estratégia. Hoje, ele não vem apenas com a pedra ou com o insulto escancarado; ele vem fantasiado de papelada, de fiscalização de postura, de falta de alvará. Eles usam as leis do Estado para tentar calar o nosso tambor.


Ter um Estatuto Social, possuir CNPJ, manter a documentação regularizada e conhecer os direitos garantidos pela legislação não diminui a força do axé. Pelo contrário: oferece segurança para que o terreiro exerça suas atividades com respaldo legal e proteção institucional.

Mae de santo com estatuto

Quando uma casa religiosa está organizada, ela deixa de ser vista apenas como um espaço informal e passa a ser reconhecida como uma instituição religiosa amparada pela Constituição Federal. Isso significa mais condições para enfrentar abusos, reivindicar direitos e preservar seu funcionamento diante de situações de intolerância.


Organizar o terreiro não é abandonar a ancestralidade, é proteger o legado daqueles que resistiram para que hoje pudéssemos praticar nossa fé com liberdade.


Nos tempos atuais, informação, conhecimento e estrutura também são instrumentos de resistência, afinal preservar o sagrado não significa apenas manter vivas as tradições, significa garantir que os terreiros continuem de portas abertas para acolher, ensinar e transmitir o axé às próximas gerações.


A fé sustenta o terreiro, a organização ajuda a protegê-lo.

IRMAOS DE FÉ AMPARADOS

E você, acredita que a regularização fortalece ou enfraquece as tradições dos povos de terreiro? Deixe sua opinião nos comentários e participe dessa conversa.



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