Denúncias de intolerância religiosa triplicam em 5 anos no estado de SP.

"Depois de invadirem o terreiro, quebrarem as imagens e rasgarem os atabaques, agora me ameaçam pichando o muro de casa." De malas prontas, o pai Wesley Pereira Concas, 23, pretende mudar de cidade depois que seu terreiro foi invadido e destruído no ano passado, em Sumaré, no interior de São Paulo. Em todo o estado, as denúncias por intolerância religiosa triplicaram em apenas cinco anos.


Se em 2016 as delegacias de polícia registraram 5.214 boletins de ocorrência relatando intolerância religiosa, em 2021 foram 15.296 denúncias, revelam dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública) obtidos pelo UOL por meio da Lei de Acesso à Informação.


Após queda nas denúncias em 2017 e discreto aumento em 2018 e 2019, o número de casos explodiu nos anos seguintes. Mais populosa, a capital paulista liderou o ranking ao passar de 1.900 em 2016 para 5.900 ocorrências em 2021.


Algumas cidades se destacam no interior, como Ribeirão Preto. Com 720 mil habitantes, é a sétima cidade mais populosa do estado, mas foi a quarta em número de denúncias por intolerância religiosa no ano passado: 360 casos, depois de Campinas (482), Guarulhos (582) e a capital (5.963).


Os dados da secretaria, no entanto, são incompletos. As delegacias do estado só incluíram o termo "intolerância religiosa" nos boletins de ocorrência lavrados a partir de novembro de 2015, impossibilitando a análise de ocorrências anteriores a essa data. Também faltam informações como sexo, idade e religião da vítima. Questionada, a Polícia Civil informou por nota "que melhorias são permanentemente estudadas pela instituição, sendo efetivadas e aplicadas de acordo com a legislação vigente".


"Casa do diabo"

Pai Wesley tomou um susto ao ser informado de que a Casa de Umbanda Santa Bárbara e Pai João da Guiné, que funciona no quintal de sua casa, havia sido invadida depois que ele saiu para trabalhar no dia 7 de outubro do ano passado.


"Quando cheguei, o terreiro estava destruído. Não roubaram nada: quebraram as imagens e rasgaram os atabaques", conta Wesley, que também precisou parar de distribuir marmita a moradores de rua. "Eles furaram o congelador do freezer e o cano do gás, rasgaram sacos de arroz, feijão e macarrão. Destruíram tudo."


Depois de prestar queixa, sua casa passou a ser apedrejada, e o muro foi pichado. "Escrevem 'casa do diabo', 'pai de santo do diabo'. Eu ainda perdi o emprego", lamenta. "Meu chefe, que é evangélico, me demitiu quando soube do caso."


"Escrevem 'casa do diabo', 'pai de santo do diabo'. Eu ainda perdi o emprego", lamenta. "Meu chefe, que é evangélico, me demitiu quando soube do caso."

Fonte: Material Original Uol







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