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​Guia de Direitos 2026 é um Avanço Real ou Apenas Propaganda Eleitoral?

  • Foto do escritor: jornaldoaxe
    jornaldoaxe
  • 22 de jan.
  • 2 min de leitura

O recente lançamento do "Guia de Direitos dos Povos de Matriz Africana", ocorrido em Brasília, tem sido celebrado nos gabinetes oficiais como uma vitória histórica. No entanto, para quem está no chão do terreiro, em São Miguel Paulista ou em qualquer periferia do Brasil, a pergunta que fica é: até quando seremos alimentados apenas com cartilhas e manuais?


O Papel Aceita Tudo, o Terreiro Não: ​Embora o guia traga orientações jurídicas importantes, ele se apresenta muito mais como uma medida paliativa e eleitoreira do que como uma solução estrutural. Em um ano de movimentações políticas, é estratégico para governantes lançar documentos coloridos que "explicam" direitos que já deveriam estar garantidos pela Constituição de 1988.


​A verdade é que o povo de santo não precisa de mais um manual técnico de 100 páginas para saber que tem direito à imunidade tributária ou à liberdade de culto. Os sacerdotes e federações já realizam esse trabalho de orientação de forma humanizada, direta e gratuita há décadas. O que falta não é informação; é a efetividade do Estado em garantir a vida.


O Abismo da Inclusão Social:

Enquanto o governo entrega PDFs, a realidade nas escolas e nas ruas é de abandono. Pesquisas recentes confirmam que a perseguição religiosa nas escolas é um dos principais motivos de violência em 2026. Onde estão as iniciativas reais de inclusão social?

Onde está o fomento econômico para as comunidades tradicionais que geram emprego e renda em seus bairros?

​Onde está o suporte psicossocial para os jovens que sofrem racismo religioso e evadem das salas de aula?

​Onde está a segurança pública que não chega quando o terreiro é invadido, independentemente de haver uma cartilha embaixo do braço do sacerdote?


A Política do "Paliativo":

Tratar o racismo religioso apenas com guias informativos é uma forma do Estado se eximir de sua responsabilidade de investir em políticas de base. É mais barato imprimir cartilhas do que reformar o currículo escolar. O Guia de 2026 corre o risco de ser apenas mais um "troféu de papel" para ser exibido em palanques, enquanto as comunidades continuam lutando sozinhas para manter suas portas abertas e seus filhos seguros.


​Nossa Voz:

​O Axé não quer apenas saber quais são seus direitos; o Axé quer que seus direitos sejam respeitados sem que seja necessário um advogado em cada sessão. Precisamos de inclusão, de recursos e de respeito na prática, não apenas na teoria das cartilhas governamentais.


Editorial – Jornal do Axé

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