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O verdadeiro inimigo está dentro da sua casa.Você sabe quem é?

  • Foto do escritor: Redação Jornal do Axé
    Redação Jornal do Axé
  • há 4 dias
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

Esta matéria faz parte de uma série especial do Jornal do Axé criada para provocar reflexão, orientar e fortalecer o povo de terreiro. Você pode ler ou ouvir este artigo com calma, mas não passe por ele como se fosse apenas mais uma opinião. A proposta aqui é abrir uma conversa séria, direta e necessária sobre aquilo que muitas vezes enfraquece nossas casas por dentro.

Leia ou escute a matéria com atenção.

Tem assunto que incomoda porque obriga a gente a olhar para dentro. Talvez por isso muita gente prefira falar apenas do inimigo que vem de fora.


Quando alguém invade um terreiro, persegue uma casa, tenta calar o atabaque, ofende uma liderança ou usa a internet para atacar Umbanda, Candomblé, Jurema e outras tradições de matriz africana, a comunidade reage. E precisa reagir mesmo. Racismo religioso é crime, intolerância religiosa é violência, e ninguém deve aceitar calado aquilo que fere sua fé e sua ancestralidade.


Mas existe uma conversa mais difícil. Nem todo inimigo chega gritando no portão. Alguns entram devagar, quase sem fazer barulho, e vão enfraquecendo a casa por dentro.


Esse inimigo pode ser a desinformação, a vaidade, a desunião, a falta de legalização, a preguiça de ler ou a escolha errada de quem procura apoio apenas pelo preço e não pela estrutura. Pode ser aquela velha mania de deixar tudo para depois, acreditando que “comigo nunca vai acontecer”. Só que acontece.


E quando acontece, muita casa descobre tarde demais que fé é fundamento, mas fé sozinha não substitui preparo. Um terreiro pode ter força espiritual, história, tradição e ancestralidade. Mas, se não tem organização mínima, se não conhece seus direitos e deveres, se não sabe a quem recorrer e se nunca buscou orientação séria, fica mais exposto.


Muitos dirigentes só procuram ajuda quando o conflito já estourou. Antes disso, não querem saber de orientação, documento ou responsabilidade institucional. Mas, quando o vizinho ameaça, quando a fiscalização bate na porta ou quando a casa vira alvo, todos querem apoio imediato.


Apoio imediato não se constrói no susto. Apoio se constrói antes.

Dentro da própria comunidade, existe uma confusão perigosa. Muita gente trata toda federação, associação, conselho ou instituto como se fosse a mesma coisa. Coloca no mesmo balaio quem trabalha sério, quem orienta, quem documenta e quem apenas entrega um papel bonito para colocar na parede.


Só que papel na parede, sozinho, não defende terreiro.


Na hora do aperto, o que faz diferença não é apenas ter uma carteirinha ou um certificado. O que faz diferença é saber se existe orientação por trás daquele documento, se existe estrutura de apoio, se existe seriedade, conhecimento jurídico, contábil e institucional, e se aquela instituição pode ajudar antes, durante e depois do problema.


O verdadeiro valor de uma instituição não está no preço que ela cobra. Está no que ela entrega de segurança, orientação, responsabilidade e apoio.


Também é preciso separar quem trabalha de verdade de quem só aparece na polêmica. Tem nota de repúdio bonita, live emocionada, discurso forte e gente que sabe usar a dor da comunidade para ganhar visibilidade. Mas, depois que o assunto passa, se não houver estrutura real por trás daquela fala, o religioso continua sozinho.


Manifestar é importante. Mas manifestação sem continuidade vira apenas barulho depois da tragédia.


É por isso que iniciativas como Federação Afro Brasil, Federação ATUCO, CONEAFRO, Contabilidade para Terreiro, Raízes da Umbhanda e Jornal do Axé precisam ser observadas com atenção. Não como propaganda vazia, mas como exemplo de ação que busca informar, orientar, documentar e fortalecer o religioso para que ele deixe de agir apenas depois da dor.


O inimigo dentro da casa, muitas vezes, é justamente a falta dessa base. É quando o dirigente acha que sua casa vive sozinha. É quando a comunidade se divide por vaidade. É quando se critica toda instituição séria porque ela cobra responsabilidade, mas se aceita qualquer facilidade que não oferece proteção nenhuma.


O intolerante não quer saber se sua casa é Umbanda, Candomblé, Jurema, Omolocô, Kimbanda ou qualquer outra vertente. Para quem discrimina, tudo vira alvo. Então, se o preconceito nos ataca como se fôssemos uma coisa só, por que continuamos nos defendendo como ilhas separadas?


Esta matéria faz parte de uma série especial do  Jornal do Axé. Não é para culpar quem sofre intolerância. A culpa da agressão é sempre de quem agride. Mas uma comunidade desinformada, dividida e isolada fica mais frágil diante de quem quer atacar.


Antes de perguntar quem vai defender você quando o problema chegar, talvez seja hora de perguntar o que você está fazendo hoje para não ficar sozinho amanhã.


Compartilhe esta publicação com seus amigos, grupos e redes sociais. Informar e orientar também é uma forma de participar da solução. Comente no Jornal do Axé, mande sua sugestão e apresente propostas. Este espaço está aberto para quem quer fortalecer o Axé com responsabilidade e atitude.


REDAÇÃO |JORNAL DO AXÉ


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JOSE ATUCO
há 2 dias
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PARTE 2 MARAVILHOSA, PARABENS JORNAL DO AXÉ PELO CONTEÚDO RICO.


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