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Religioso se manifesta diante das agressões, mas não sabe como cuidar para não ser a próxima vítima.

  • Foto do escritor: Redação Jornal do Axé
    Redação Jornal do Axé
  • há 3 horas
  • 4 min de leitura

Toda vez que um terreiro é atacado e se torna vítima, a comunidade se revolta. Quando um instrumento sagrado é apreendido, uma casa é invadida, uma criança é agredida, um sacerdote é ofendido ou uma religião de matriz africana é atacada publicamente, a indignação aparece.

Vêm as notas de repúdio.

Vêm os vídeos.

Vêm as lives.

Vêm os comentários revoltados.

Vêm os compartilhamentos.


E tudo isso tem importância. O povo de terreiro não deve ficar calado diante do racismo religioso. O silêncio também machuca. O silêncio também permite que a violência avance.


Mas é preciso falar uma verdade que muita gente evita: manifestar depois da agressão é necessário, mas não basta. Reagir depois da tragédia não garante que o próximo terreiro estará protegido.


A pergunta que precisa ser feita é simples e dura:


você sabe como cuidar da sua casa para não ser a próxima vítima?


Porque a maioria se manifesta diante da dor do outro, mas não olha para a própria estrutura. Reage ao caso que aconteceu no Rio de Janeiro, em Manaus, no Paraná, em Rondônia, em São Paulo ou em qualquer outro lugar do Brasil, mas não verifica se sua própria casa está documentada, orientada, organizada e preparada.


A comunidade religiosa vive uma espécie de febre. A cada caso grave, a temperatura sobe. Todo mundo se agita. Todo mundo se indigna. Todo mundo diz que é absurdo. Mas, depois que a notícia passa, depois que o assunto sai das redes sociais, depois que o escândalo perde força, muita gente volta para o mesmo lugar de antes.

Sem organização.

Sem legalização.

Sem participação.

Sem leitura.

Sem orientação.

Sem estrutura coletiva.


A febre passa. O risco continua.


E o risco não está apenas no agressor de fora. O risco também está na falta de preparo de dentro. Está na casa que não se regulariza. Está no dirigente que não lê. Está no religioso que não participa de reuniões, assembleias, fóruns, conselhos, debates e mobilizações. Está em quem reclama da falta de apoio, mas não fortalece nenhuma instituição séria. Está em quem quer defesa, mas não quer compromisso.


Vamos falar de forma clara: o racismo religioso existe, é crime, precisa ser denunciado e combatido. Mas, se o povo de terreiro continuar esperando apenas a próxima agressão para se mobilizar, continuará sempre correndo atrás do prejuízo. Não adianta apenas se revoltar. É preciso se preparar.

Se preparar significa mudar postura.


Significa entender que terreiro não se protege apenas com indignação. Terreiro se protege com documento, orientação, união, participação, assessoria correta, conhecimento dos direitos e deveres, presença nos espaços públicos e fortalecimento das instituições que realmente trabalham pelo coletivo.


Hoje existem federações, associações, conselhos, institutos, movimentos e canais de comunicação que se manifestam diante dos ataques. Algumas manifestações são sérias e necessárias. Outras aparecem apenas na hora da polêmica, fazem barulho, ganham visibilidade, mas não entregam estrutura real para o religioso quando ele precisa.


Por isso, o dirigente precisa aprender a perguntar: depois da nota, existe apoio? Depois da live, existe orientação? Depois do discurso, existe documento? Depois do manifesto, existe estrutura? Depois da indignação, existe continuidade?


Porque o povo de terreiro não precisa apenas de quem apareça na hora do escândalo. Precisa de quem esteja presente antes, durante e depois do problema.


É nesse sentido que iniciativas como as desenvolvidas pela Federação Afro Brasil, Federação ATUCO, CONEAFRO, Contabilidade para Terreiro, Raízes da Umbhanda e Jornal do Axé precisam ser observadas com atenção. São ações que buscam informar, orientar, legalizar, documentar e fortalecer o religioso para que ele não dependa apenas da revolta depois do ataque.


Não se trata de disputar quem fala mais alto. Trata-se de saber quem tem estrutura para caminhar junto.


O religioso precisa entender que fazer parte da solução exige mais do que postar indignação. Exige ler. Exige participar. Exige se informar. Exige escolher melhor onde se filia. Exige fortalecer quem tem compromisso real. Exige sair da posição de espectador e assumir uma postura ativa.


Porque, enquanto cada terreiro continuar isolado, cada dirigente preocupado apenas com a própria casa e cada religioso esperando que outro resolva o problema, o preconceito continuará avançando.


A intolerância religiosa não encontra força apenas na maldade de quem ataca. Ela também encontra espaço na desorganização de quem deveria se proteger.


Esta matéria faz parte de uma série especial doJornal do Axé criada para abrir uma conversa necessária com dirigentes, sacerdotes, médiuns, filhos de santo, simpatizantes e toda a comunidade de terreiro. Não é uma série para atacar o religioso. É uma série para chamar à responsabilidade.


Quem ama o Axé precisa defender o Axé com atitude.


Compartilhe esta publicação com seus amigos, grupos e redes sociais. Informar e orientar também é uma forma de participar da solução.


E não fique calado. Comente na publicação do Jornal do Axé, mande sua sugestão, conte sua experiência e apresente propostas afirmativas. Este é um diálogo aberto para quem quer construir, participar e fortalecer o povo de terreiro com responsabilidade.



REDAÇÃO |JORNAL DO AXÉ


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Jose atuco
há uma hora
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