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Quando a voz do Papa Leão XIV pede perdão, mas padres insistem em repetir os erros da história. Perseguem e discriminam!

  • Foto do escritor: jornaldoaxe
    jornaldoaxe
  • há 20 horas
  • 3 min de leitura

MANIFESTO NACIONAL DE REPÚDIO CONTRA O RACISMO RELIGIOSO, A INTOLERÂNCIA E A DEMONIZAÇÃO DAS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA

Qual fala devemos acreditar que é a fala oficial da Igreja Católica?
Qual fala devemos acreditar que é a fala oficial da Igreja Católica?

LEIA. REFLITA. POSICIONE-SE.

O Brasil assiste, mais uma vez, a um episódio grave de intolerância religiosa, preconceito e ataque simbólico contra os povos de matriz africana. As declarações realizadas pelo Padre Jonathan Costa durante celebração no Santuário de São Domingos de Gusmão, em Araxá/MG, ao associar religiões de matriz africana ao satanismo e a supostas práticas criminosas envolvendo a Eucaristia.


Suas falas, ultrapassam os limites da divergência religiosa e ingressam diretamente no campo do racismo religioso, da discriminação e da reprodução de estigmas historicamente utilizados para perseguir, marginalizar e demonizar tradições afro-brasileiras.


O fato torna-se ainda mais grave porque acontece exatamente no momento em que o próprio Papa Leão XIV promove um dos mais importantes movimentos de reconhecimento histórico já realizados pela Igreja Católica.


Há poucos dias, o pontífice reconheceu publicamente que a Igreja Católica demorou séculos para condenar a escravidão e pediu perdão pelo papel histórico exercido por setores da instituição na legitimação da escravização de povos africanos e de outras populações consideradas inferiores durante o processo de colonização. O Papa classificou esse passado como uma "ferida na memória cristã" e afirmou, em nome da Igreja, um pedido sincero de perdão.


Esse gesto histórico não representa apenas um pedido de desculpas. Representa um reconhecimento de que o racismo, a perseguição cultural, a demonização de povos africanos e o apagamento de suas espiritualidades produziram séculos de dor, violência e exclusão.


Por isso, quando um sacerdote católico utiliza o altar para reproduzir narrativas que associam religiões afro-brasileiras ao satanismo, sua fala não atinge apenas Umbhandistas, Candomblecistas, Juremeiros, povos tradicionais de terreiro ou lideranças religiosas.

Sua fala atinge diretamente o esforço de reconstrução histórica promovido pela própria liderança máxima da Igreja Católica.


Sua fala contradiz o caminho de reconciliação que o Papa Leão XIV acaba de defender perante o mundo.

Sua fala enfraquece o diálogo inter-religioso. Sua fala alimenta preconceitos que já custaram vidas. Sua fala reforça estruturas de racismo religioso que ainda hoje resultam em agressões físicas, invasões de terreiros, destruição de símbolos sagrados e perseguições contra comunidades tradicionais em todo o Brasil.


Nenhuma religião precisa atacar outra para defender sua própria fé.

Nenhum altar deve ser utilizado como instrumento de humilhação religiosa.

Nenhuma autoridade espiritual possui o direito de transformar povos ancestrais em alvo de suspeita, ridicularização ou demonização.


As religiões de matriz africana são patrimônio cultural, espiritual e histórico do Brasil.

São responsáveis por acolhimento, assistência social, preservação de saberes ancestrais, proteção da memória afro-brasileira e resistência cultural construída ao longo de séculos de perseguição.


A Constituição Federal garante a liberdade religiosa. A Lei nº 7.716/1989 criminaliza atos de discriminação e preconceito. O Estatuto da Igualdade Racial protege os povos de matriz africana e seus espaços de culto.


O Supremo Tribunal Federal já reconheceu que ataques sistemáticos contra religiões afro-brasileiras configuram expressão de racismo religioso. Diante dos fatos amplamente divulgados, as entidades abaixo assinadas manifestam seu mais profundo REPÚDIO às declarações proferidas durante a celebração religiosa realizada em Araxá.


Manifestamos nossa REVOLTA diante da naturalização de discursos que perpetuam preconceitos históricos. Manifestamos nossa SOLIDARIEDADE aos povos de terreiro, às lideranças religiosas, às comunidades tradicionais e aos povos indígenas que igualmente denunciam processos permanentes de apagamento cultural e intolerância.


Manifestamos nosso APOIO irrestrito às iniciativas que promovem o respeito, a diversidade religiosa, a cultura de paz e a convivência democrática.

Exigimos retratação pública.

Exigimos posicionamento institucional das autoridades competentes.

Exigimos que a liberdade religiosa seja respeitada de forma integral e sem distinções.

Não aceitaremos que pedidos históricos de perdão sejam esvaziados por práticas que reproduzem exatamente os mesmos mecanismos de discriminação que a própria Igreja afirma hoje reconhecer como erro.

O Brasil é plural.

O Brasil é diverso.


O Brasil é negro, indígena, afrodescendente, cristão, espírita, umbandista, candomblecista e de inúmeras expressões de fé.

Respeitar essa diversidade não é favor.

É obrigação moral.

É dever constitucional.

É compromisso civilizatório.


ASSINAM ESTE MANIFESTO

JORNAL DO AXÉ - www.jornaldoaxe.com.br

FEDERAÇÃO AFRO BRASIL - www.federacaoafrobrasil.com.br

FEDERAÇÃO ATUCO - www.federacaoatuco.com.br

CONEAFRO – CONSELHO NACIONAL DOS RELIGIOSOS DO AXÉ - www.coneafro.com.br

RAÍZES DA UMBHANDA www.raizesdaumbhanda.com.br

CONTABILIDADE PARA TERREIRO www.contabilidadeparaterreiro.com.br

CANDOMBLÉ - www.candomble.com.br

CONSÓRCIO DOS FESTEJOS DE IEMANJÁ www.festadeiemanja.com.br

Instituto Afrobeja – Arte, Cultura, Educação e Promoção Social - https://www.afrobeja.com


"Enquanto alguns insistem em repetir os erros da história, nós escolhemos defender a dignidade humana, a liberdade religiosa, a ancestralidade e a cultura de paz."


ASSISTA À FALA INTOLERANTE E RACISTA.


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