AXÉ NO PROTAGONISMO POLÍTICO EM ELEIÇÃO HISTÓRICA!
- jornaldoaxe

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Babalorixá Gamby Ty Sangô e Babalorixá Edvaldo vencem o pleito do COMPLIR em São Paulo; vitória esmagadora marca o fim do silenciamento e o início de uma era de cobrança institucional e combate à intolerância.
SÃO PAULO – MARÇO DE 2026
Análise Especial: Redação Jornal do Axé
O solo da capital paulista tremeu sob o peso da ancestralidade no último sábado, dia 28 de março. O que se viu na eleição para o Conselho Municipal de Promoção da Liberdade Religiosa (COMPLIR) não foi apenas um rito democrático de rotatividade de cadeiras, mas uma ocupação estratégica e necessária. Em uma das eleições com maior mobilização popular da história do órgão, o povo de matriz africana deu o seu recado: não aceitaremos mais as migalhas do debate público.

A vitória da chapa encabeçada pelo Pai Gamby (Babalorixá Gamby Ty Sangô), Presidente da Federação AFROBRASIL, como titular, e pelo Pai Edvaldo, Presidente da CONEAFRO, como suplente, carrega um simbolismo profundo.
Em um país onde o racismo religioso tenta, diariamente, demonizar nossos fundamentos e depredar nossos espaços sagrados, ver dois líderes de tamanha envergadura assumirem a linha de frente do COMPLIR para a gestão 2026/2028 é a garantia de que o Axé terá voz ativa onde as leis são discutidas e aplicadas.
A Profundidade de uma Conquista Coletiva
Esta eleição não foi ganha apenas nos guichês de votação; ela foi conquistada no dia a dia dos terreiros, na resistência dos filhos de santo e na articulação política de quem entende que corpo político também é corpo sagrado.
A Força do Título: Como titular, Pai Gamby carrega a responsabilidade de representar a AFROBRASIL e, por extensão, a vasta rede de comunidades tradicionais que buscam reconhecimento e proteção.
A Suplência de Peso: Pai Edvaldo, à frente da CONEAFRO, traz o vigor da organização e da união, reforçando que o povo do Axé está coeso e vigilante.
O Mandato da Defesa: O foco central será o enfrentamento direto às práticas discriminatórias que historicamente vulnerabilizam nossas comunidades.
A Prática: O Que Mudará para o Povo do Axé?
A atuação desses líderes no COMPLIR será o escudo contra a intolerância. Representar o povo de matriz africana neste conselho significa:
Exigir Políticas Públicas Reais: Não mais apenas eventos simbólicos, mas a criação de mecanismos jurídicos e sociais de proteção aos terreiros.
Visibilidade Institucional: Tirar as religiões de matriz africana da "marginalidade" imposta pelo preconceito e colocá-las no centro do diálogo inter-religioso e governamental.
Combate à Discriminação: Atuar diretamente na denúncia e na cobrança de providências contra ataques aos direitos de liberdade de crença.
O Encontro que Rompe Barreiras
Um dos momentos mais impactantes do processo foi o diálogo estabelecido entre nossos representantes e a comunidade islâmica. Esse gesto prova que a vitória de Pai Gamby e Pai Edvaldo é um avanço para a cultura de convivência. A convergência entre diferentes fés em torno da igualdade mostra que, quando o Axé vence, a democracia respira melhor.
O Rugir do Leão: Sangô e a Justiça

Para o povo do santo, a representação de Pai Gamby Ty Sangô evoca a própria justiça do Orixá. A eleição expressiva não é apenas um número; é a resposta de um povo que cansou de ser invisível. Como bem pontuou a Ekedji Ândria na elaboração deste registro histórico, o sentimento é de alegria e esperança.
O recado está dado: a gestão 2026/2028 do COMPLIR não será de silêncio. Será de combate, de valorização das tradições e de conquista de direitos.
O Axé não pede passagem; o Axé agora ocupa o seu lugar de direito na construção de uma sociedade livre e plural.




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