top of page

MORADOR FAMOSO DE NOVA TRENTO/SC VAI USAR TORNOZELEIRA ELETRÔNICA APÓS CHAMAR “MACUMBEIRO” DE “RELIGIÃO DO DIABO”.

  • Foto do escritor: Redação Jornal do Axé
    Redação Jornal do Axé
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Caso reacende debate sobre intolerância religiosa e mostra por que o povo de terreiro precisa se organizar e ocupar espaços de representação.



A cidade de Nova Trento, em Santa Catarina, virou palco de mais um episódio que revolta praticantes das religiões de matriz africana em todo o Brasil. Pedro Leite, morador conhecido por suas ações sociais, exposições natalinas e distribuição de presentes para crianças, tornou-se réu em um processo por intolerância religiosa e foi obrigado pela Justiça a usar tornozeleira eletrônica, além de cumprir outras medidas cautelares.


Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Pedro teria publicado uma série de vídeos associando praticantes de Umbanda a crimes e fazendo declarações como “macumbeiro é uma religião do diabo” e “isso é religião do capeta”. A Justiça recebeu a denúncia e determinou medidas para proteger as vítimas enquanto o processo segue seu curso.

ASSISTA Á FALA DE PEDRO LEITE

Independentemente do desfecho final da ação, uma coisa já precisa ser dita com clareza: casos como esse não podem ser tratados como algo normal. Eles precisam ser denunciados, combatidos e levados ao conhecimento das autoridades sempre que acontecerem.


O silêncio protege o agressor. A denúncia protege a vítima. Mas o que aconteceu em Nova Trento não é uma exceção. É apenas mais um capítulo de uma história que milhares de religiosos de matriz africana conhecem bem.


Em todo o país, pessoas usam a força da política, da religião, da fama local, das redes sociais e até do trabalho comunitário para espalhar preconceitos contra quem cultua Orixás, Caboclos, Pretos-Velhos, Exus, Pombagiras e outras manifestações da ancestralidade afro-brasileira.


O mais preocupante é que esses discursos raramente ficam apenas nas palavras. Eles alimentam perseguições, incentivam hostilidade, criam constrangimentos públicos e reforçam preconceitos que atingem crianças, jovens, trabalhadores e famílias inteiras.

Só conhece a dor do parto quem pariu. Só conhece a dor de um macumbeiro quem é macumbeiro.


Quem nunca foi ridicularizado na escola por sua fé talvez não compreenda. Quem nunca perdeu amizade, relacionamento ou oportunidade profissional por frequentar um terreiro talvez não entenda. Quem nunca precisou esconder sua religião para evitar humilhações dificilmente conhece o peso que a intolerância carrega.


E aqui está uma verdade que nossa própria comunidade precisa encarar: enquanto muitos grupos se organizam politicamente para defender seus interesses, grande parte do povo de terreiro continua distante dos debates públicos, das mobilizações e dos espaços de representação.


Depois de cada caso de intolerância, surgem as reclamações. Depois de cada ataque, surgem as manifestações de revolta. Mas a pergunta continua a mesma: quem está ocupando os espaços onde as decisões são tomadas? Não basta denunciar quando a violência acontece. É preciso construir força antes de ela acontecer.


Precisamos apoiar iniciativas sérias, fortalecer nossas organizações, participar dos conselhos, dos debates públicos, das audiências, das associações e das representações políticas que defendem a liberdade religiosa. Precisamos ampliar as denúncias, acompanhar os processos e mostrar que a comunidade afro-brasileira não aceitará mais ser tratada como cidadã de segunda categoria.


A verdade é simples: quem não participa da construção das soluções acaba vivendo as consequências das decisões tomadas por outros.


Nossa fé não é crime. Nossa ancestralidade não é vergonha. Nossos terreiros não são ameaça. E a proteção da nossa comunidade começa quando cada um de nós entende que também faz parte da solução.


DEIXE SEU DEPOIMENTO NO FINAL DA PÁGINA.


REDAÇÃO JORNAL DO AXÉ


CONHEÇA NOSSOS PRINCIPAIS PARCEIROS.


Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page