Nem todo mundo que se manifesta age: ALGUNS SÓ QUEREM IBOPE.
- Redação Jornal do Axé

- há 5 dias
- 3 min de leitura
Atualizado: há 3 dias
Antes de começar a leitura ou ouvir esta matéria, preste atenção nesta orientação: ao final do artigo, você encontrará a indicação de um livro e-book gratuito, feito para ajudar religiosos, dirigentes e comunidades de terreiro a conhecerem seus direitos, entenderem seus deveres e saberem como agir em várias situações do dia a dia.

Toda vez que acontece um caso grave de intolerância religiosa, aparece muita gente falando. Uns falam com dor verdadeira. Outros falam com responsabilidade. Alguns se manifestam porque realmente estão comprometidos com a defesa do povo de terreiro.
Mas também existe quem aparece apenas porque o assunto está quente.
É duro dizer, mas precisa ser dito: nem toda manifestação é compromisso. Às vezes é só oportunidade. Tem gente que espera a tragédia virar notícia para gravar vídeo, fazer live, escrever nota, aparecer em podcast, ganhar curtida, ganhar seguidor e se colocar como grande defensor do Axé. Na hora do barulho, aparece. Depois que o assunto passa, some.
E o religioso precisa aprender a perceber essa diferença.
Manifestar é importante. Uma nota pública pode pressionar autoridades, dar visibilidade ao caso, mostrar solidariedade e dizer para a sociedade que o povo de terreiro não aceita ser tratado com desrespeito. O problema não está na manifestação. O problema está quando a manifestação vira apenas palco.
Porque, depois do discurso bonito, vem a pergunta que realmente importa: Existe estrutura? Existe orientação? Existe alguém para acompanhar o religioso? Existe apoio antes, durante e depois do problema? Ou só existe fala bonita na hora em que o caso está dando audiência? O povo de terreiro já sofreu demais para continuar sendo usado como vitrine. Dor de terreiro não pode virar moeda de promoção pessoal. Agressão contra uma casa religiosa não pode servir apenas para alimentar vaidade, vender imagem ou atrair cliente. Quem realmente defende o Axé precisa ter compromisso com a orientação, com a informação, com a proteção e com a continuidade do trabalho.
E aqui é preciso ter maturidade. Existem profissionais sérios, advogados sérios, comunicadores sérios, dirigentes sérios e instituições sérias que se posicionam e também prestam serviços. Isso não é problema. O problema é quando a dor coletiva vira apenas estratégia de marketing, sem entrega real, sem estrutura e sem compromisso com a base.
O religioso precisa parar de se impressionar apenas com quem fala bonito. Precisa perguntar o que aquela pessoa ou instituição constrói quando não tem câmera ligada. O que faz quando não tem polêmica? O que oferece quando ninguém está olhando? Que tipo de orientação produz? Que material entrega? Que caminho apresenta? Que estrutura mantém?
Porque defender o povo de terreiro não é só aparecer depois da pancada. É trabalhar antes para que a próxima casa não seja pega despreparada.
Por isso, iniciativas como Federação Afro Brasil, Federação ATUCO, CONEAFRO, Contabilidade para Terreiro, Raízes da Umbhanda e Jornal do Axé precisam ser observadas com atenção. Elas apontam para uma defesa que não vive apenas de reação. Buscam informar, orientar, legalizar, comunicar e criar instrumentos para que o religioso tenha mais consciência diante das situações do dia a dia. A diferença está justamente aí. Uma manifestação vazia termina quando acaba o alcance da postagem. Uma ação séria continua depois: orienta, explica, documenta, organiza, prepara e chama o religioso para participar. O povo de terreiro precisa de voz, sim. Mas precisa também de caminho. Precisa de quem denuncie, mas também de quem ensine a prevenir. Precisa de quem se indigne, mas também de quem ajude a organizar. Precisa de quem fale alto, mas também de quem tenha base para sustentar o que fala. Não basta perguntar quem publicou nota. É preciso perguntar quem está disposto a trabalhar quando o assunto sair das redes. Esta matéria faz parte de uma série especial do Jornal do Axé para ajudar dirigentes, religiosos e comunidades de terreiro a entenderem que a proteção do Axé não pode depender apenas de comoção. A indignação tem seu lugar, mas a consciência precisa vir antes da tragédia.
Compartilhe esta publicação com seus amigos, grupos e redes sociais. Informar e orientar também é uma forma de participar da solução. Comente no Jornal do Axé, mande sua sugestão e apresente propostas. Este espaço está aberto para quem quer fortalecer o Axé com responsabilidade, participação e atitude.
REDAÇÃO |JORNAL DO AXÉ

















Quem busca conhecimento fortalece o próprio caminho.
Sempre existe algo novo para aprender.
É um tema importante para todos nós.
Gostei muito da forma como o assunto foi explicado.
Informação também é uma forma de cuidar da nossa tradição.