Racismo religioso é crime: projeto leva informação e proteção aos povos de terreiro em Alagoas
- Conecthar Comunicação

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Ação do Ponto de Cultura Patacuri – Circuito Axé de Terreiro em Terreiro promoveu a entrega de placas com informações sobre legislação, liberdade religiosa e combate ao racismo religioso.
Alagoas — Em um momento marcado por axé, cultura, participação e fortalecimento das comunidades de matriz africana, o Ponto de Cultura Patacuri – Circuito Axé de Terreiro em Terreiro realizou mais uma ação do projeto Saiba Seus Direitos.

A iniciativa tem como propósito levar informação para dentro dos espaços religiosos e aproximar os povos de terreiro do conhecimento sobre seus direitos, especialmente aqueles relacionados à liberdade religiosa, igualdade racial e enfrentamento ao racismo religioso.
Durante a atividade, foram entregues placas informativas para lideranças e integrantes das comunidades de terreiro. O material reúne referências importantes da legislação brasileira, incluindo dispositivos da Constituição Federal, da Lei Federal nº 9.459/1997, do Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010) e da Lei Federal nº 14.532/2023, além de legislação estadual.
A proposta é simples, mas carrega um significado importante: fazer com que o conhecimento sobre direitos esteja presente no cotidiano dos terreiros.
Informação que chega onde os direitos precisam ser conhecidos. A ação contou com a participação de Ekedy Nadja Cabral, representante da Federação Legaliza, que assumiu também o compromisso de fazer com que as placas chegassem às comunidades que não puderam estar presentes no encontro.
Segundo Nadja, o material foi destinado a 22 federados, além de amigos e participantes da iniciativa. Para aqueles que não conseguiram comparecer, ela explicou que as placas também estão sendo encaminhadas diretamente para suas residências.
A decisão de levar o material demonstra pessoalmente a preocupação em não deixar nenhuma liderança sem acesso às informações. Não poderia deixá-los sem elas. Porque uma representante tem que fazer seu trabalho de comunicação completo.
Para a representante da Federação Afro Brasil Legaliza, esse trabalho está diretamente relacionado ao papel de quem atua na defesa e na representação das religiões de matriz africana.
Fortalecer as lideranças também é fortalecer os terreiros. Durante o encontro, a presença de babalorixás, ialorixás, ekedys e outros integrantes das comunidades de terreiro reforçou a importância de criar espaços onde essas lideranças possam participar, dialogar e apresentar sua realidade.
Em seu relato, Ekedy Nadja Cabral destacou a emoção de ver seus irmãos e irmãs de fé ocupando esses espaços. “Representar minha religião e fazer com que meus babalorixás e ialorixás tenham um espaço e possam mostrar que somos um povo capaz me deixa muito feliz.”
O sentimento expresso por Nadja resume parte do significado da iniciativa: não se trata apenas de entregar um material, mas de valorizar pessoas, preservar identidades e fortalecer comunidades que fazem parte da história e da cultura brasileira.
Um dos principais pontos apresentados nas placas é o alerta para o combate ao racismo religioso. A mensagem "Racismo religioso é crime"aparece em destaque no material, acompanhada da orientação para denúncia pelo número 190 em situações que necessitem de atendimento policial.
As placas também apresentam informações sobre a proteção constitucional à liberdade de consciência e de crença e ao livre exercício dos cultos religiosos. A iniciativa busca, dessa forma, transformar a legislação em informação acessível para quem está dentro dos terreiros.
Conhecer a lei não elimina, por si só, as situações de intolerância e discriminação. Mas permite que as comunidades tenham mais condições de reconhecer uma violação, buscar orientação e procurar os mecanismos de proteção disponíveis.
Patacuri promove encontro entre cultura, informação e cidadania.
O projeto é desenvolvido pelo Ponto de Cultura Patacuri – Circuito Axé de Terreiro em Terreiro, sob a liderança de seu presidente, Marcos Antônio, e sua equipe.
O encontro reuniu um público expressivo em um espaço de convivência e aprendizado, com a participação de religiosos de diferentes tradições de matriz africana.
Além das discussões relacionadas aos direitos, o ambiente também evidenciou a força da cultura e da identidade dos povos de terreiro, com a presença de vestimentas tradicionais e diferentes expressões culturais.
A proposta do Circuito Axé de Terreiro em Terreiro é justamente aproximar essas ações das comunidades, criando uma rede de informação, valorização cultural e fortalecimento dos espaços sagrados.
Um trabalho que continua depois do encontro. Para Ekedy Nadja Cabral, a responsabilidade de representar uma comunidade não termina quando uma atividade chega ao fim. Por isso, a entrega das placas continua para aqueles que não puderam participar presencialmente.
A representante também fez questão de agradecer aos associados da Federação Afro Brasil Legaliza e, especialmente, ao Babalorixá Marcos Antônio e toda a equipe do Patacuri pela realização da iniciativa.
Eu só tenho a agradecer a todos por acreditarem no meu trabalho como liderança e representante da Federação Afro Brasil Legaliza.
A ação deixa uma mensagem que vai além das placas distribuídas: informação é uma ferramenta de proteção e conhecimento também é uma forma de fortalecer os povos de terreiro.
Quando uma liderança conhece seus direitos, ela pode orientar sua comunidade. Quando um terreiro conhece a legislação, passa a ter mais instrumentos para defender seu espaço sagrado. E quando essas informações circulam entre as comunidades, o conhecimento se transforma em uma ferramenta coletiva de cidadania.

Para os povos de matriz africana, defender o direito à própria fé significa também defender dignidade, identidade, cultura, liberdade religiosa e respeito.
O projeto Saiba Seus Direitos segue, assim, levando uma mensagem fundamental de terreiro em terreiro: conhecer os direitos é também saber como protegê-los.
REDAÇÃO | JORNAL DO AXÉ





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