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Racismo religioso é crime: projeto leva informação e proteção aos povos de terreiro em Alagoas

  • Foto do escritor: Conecthar  Comunicação
    Conecthar Comunicação
  • há 4 horas
  • 4 min de leitura

Ação do Ponto de Cultura Patacuri – Circuito Axé de Terreiro em Terreiro promoveu a entrega de placas com informações sobre legislação, liberdade religiosa e combate ao racismo religioso.

 

Alagoas — Em um momento marcado por axé, cultura, participação e fortalecimento das comunidades de matriz africana, o Ponto de Cultura Patacuri – Circuito Axé de Terreiro em Terreiro realizou mais uma ação do projeto Saiba Seus Direitos.

 

Lideranças de terreiro seguram placas entregues pelo projeto Saiba Seus Direitos
Lideranças de terreiro seguram placas entregues pelo projeto Saiba Seus Direitos

A iniciativa tem como propósito levar informação para dentro dos espaços religiosos e aproximar os povos de terreiro do conhecimento sobre seus direitos, especialmente aqueles relacionados à liberdade religiosa, igualdade racial e enfrentamento ao racismo religioso.

 

 Durante a atividade, foram entregues placas informativas para lideranças e integrantes das comunidades de terreiro. O material reúne referências importantes da legislação brasileira, incluindo dispositivos da Constituição Federal, da Lei Federal nº 9.459/1997, do Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010) e da Lei Federal nº 14.532/2023, além de legislação estadual.

 

A proposta é simples, mas carrega um significado importante: fazer com que o conhecimento sobre direitos esteja presente no cotidiano dos terreiros.

  

Informação que chega onde os direitos precisam ser conhecidos. A ação contou com a participação de Ekedy Nadja Cabral, representante da Federação Legaliza, que assumiu também o compromisso de fazer com que as placas chegassem às comunidades que não puderam estar presentes no encontro. 

 

Segundo Nadja, o material foi destinado a 22 federados, além de amigos e participantes da iniciativa. Para aqueles que não conseguiram comparecer, ela explicou que as placas também estão sendo encaminhadas diretamente para suas residências.

 

A decisão de levar o material demonstra pessoalmente a preocupação em não deixar nenhuma liderança sem acesso às informações. Não poderia deixá-los sem elas. Porque uma representante tem que fazer seu trabalho de comunicação completo.

 

Para a representante da Federação Afro Brasil Legaliza, esse trabalho está diretamente relacionado ao papel de quem atua na defesa e na representação das religiões de matriz africana.

 

Fortalecer as lideranças também é fortalecer os terreiros. Durante o encontro, a presença de babalorixás, ialorixás, ekedys e outros integrantes das comunidades de terreiro reforçou a importância de criar espaços onde essas lideranças possam participar, dialogar e apresentar sua realidade.

 

Em seu relato, Ekedy Nadja Cabral destacou a emoção de ver seus irmãos e irmãs de fé ocupando esses espaços. “Representar minha religião e fazer com que meus babalorixás e ialorixás tenham um espaço e possam mostrar que somos um povo capaz me deixa muito feliz.”

 

O sentimento expresso por Nadja resume parte do significado da iniciativa: não se trata apenas de entregar um material, mas de valorizar pessoas, preservar identidades e fortalecer comunidades que fazem parte da história e da cultura brasileira.

 

Um dos principais pontos apresentados nas placas é o alerta para o combate ao racismo religioso. A mensagem "Racismo religioso é crime"aparece em destaque no material, acompanhada da orientação para denúncia pelo número 190 em situações que necessitem de atendimento policial.

 

As placas também apresentam informações sobre a proteção constitucional à liberdade de consciência e de crença e ao livre exercício dos cultos religiosos. A iniciativa busca, dessa forma, transformar a legislação em informação acessível para quem está dentro dos terreiros.

 

Conhecer a lei não elimina, por si só, as situações de intolerância e discriminação. Mas permite que as comunidades tenham mais condições de reconhecer uma violação, buscar orientação e procurar os mecanismos de proteção disponíveis.

 

Patacuri promove encontro entre cultura, informação e cidadania.

O projeto é desenvolvido pelo Ponto de Cultura Patacuri – Circuito Axé de Terreiro em Terreiro, sob a liderança de seu presidente, Marcos Antônio, e sua equipe.


 O encontro reuniu um público expressivo em um espaço de convivência e aprendizado, com a participação de religiosos de diferentes tradições de matriz africana.

 

Além das discussões relacionadas aos direitos, o ambiente também evidenciou a força da cultura e da identidade dos povos de terreiro, com a presença de vestimentas tradicionais e diferentes expressões culturais.


A proposta do Circuito Axé de Terreiro em Terreiro é justamente aproximar essas ações das comunidades, criando uma rede de informação, valorização cultural e fortalecimento dos espaços sagrados.

 

Um trabalho que continua depois do encontro. Para Ekedy Nadja Cabral, a responsabilidade de representar uma comunidade não termina quando uma atividade chega ao fim. Por isso, a entrega das placas continua para aqueles que não puderam participar presencialmente.

 

A representante também fez questão de agradecer aos associados da Federação Afro Brasil Legaliza e, especialmente, ao Babalorixá Marcos Antônio e toda a equipe do Patacuri pela realização da iniciativa.


Eu só tenho a agradecer a todos por acreditarem no meu trabalho como liderança e representante da Federação Afro Brasil Legaliza.

 

A ação deixa uma mensagem que vai além das placas distribuídas: informação é uma ferramenta de proteção e conhecimento também é uma forma de fortalecer os povos de terreiro.

 

Quando uma liderança conhece seus direitos, ela pode orientar sua comunidade. Quando um terreiro conhece a legislação, passa a ter mais instrumentos para defender seu espaço sagrado. E quando essas informações circulam entre as comunidades, o conhecimento se transforma em uma ferramenta coletiva de cidadania.

 

Babalorixás e ialorixás reunidos no IV Circuito Axé de Terreiro em Terreiro
Babalorixás e ialorixás reunidos no IV Circuito Axé de Terreiro em Terreiro

Para os povos de matriz africana, defender o direito à própria fé significa também defender dignidade, identidade, cultura, liberdade religiosa e respeito.

 

O projeto Saiba Seus Direitos segue, assim, levando uma mensagem fundamental de terreiro em terreiro: conhecer os direitos é também saber como protegê-los.


REDAÇÃO | JORNAL DO AXÉ


 
 
 

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