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Chega de manifestação vazia: muito barulho, pouca atitude.

  • Foto do escritor: Redação Jornal do Axé
    Redação Jornal do Axé
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura
Antes de começar a leitura ou ouvir esta matéria, preste atenção nesta orientação: ao final do artigo, você encontrará a indicação de um livro e-book gratuito, feito para ajudar religiosos, dirigentes e comunidades de terreiro a conhecerem seus direitos, entenderem seus deveres e saberem como agir em várias situações do dia a dia.
MUITO BARULHO, POUCA ATITUDE

Toda vez que acontece uma agressão contra uma casa de Axé, a revolta toma conta. E não poderia ser diferente.

Quando um terreiro é invadido, quando um tambor é apreendido, quando uma liderança é humilhada, quando uma criança é atacada ou quando uma tradição inteira é tratada com desrespeito, o povo de terreiro sente na pele.

A dor de uma casa não fica só naquela casa. Ela atravessa a comunidade inteira.

O problema é que, muitas vezes, a resposta fica apenas no barulho.

Sai nota, sai postagem, sai vídeo, sai comentário indignado. Durante alguns dias, todo mundo fala. Depois, a notícia esfria, a rede social muda de assunto e a vida segue como se nada tivesse acontecido. Mas aconteceu.

E se nada muda depois da manifestação, então a manifestação serviu para quê?

É preciso ter coragem para dizer: manifestação vazia não transforma realidade.


Ela pode até dar sensação de movimento, mas não constrói proteção. Pode gerar curtida, compartilhamento e aplauso, mas não organiza o terreiro, não legaliza a casa, não orienta o dirigente, não prepara a comunidade e não fortalece uma defesa coletiva.

Manifestar é importante, sim. O silêncio nunca foi caminho para quem sofre racismo religioso. Mas manifestação precisa ser porta de entrada para a ação, não ponto final da revolta.


O povo de terreiro precisa aprender a transformar indignação em presença.

Presença nas reuniões, nos conselhos, nos encontros, nas audiências, nos debates públicos, nas assembleias, nas formações e nas iniciativas que realmente buscam orientar e proteger.

Porque não adianta reclamar que ninguém faz nada se, quando alguém chama para construir, quase ninguém aparece.

Essa é uma das grandes feridas da comunidade: muita gente quer defesa, mas pouca gente quer compromisso.

Querem que uma instituição fale por todos, mas não participam dela.

Querem que alguém enfrente o poder público, mas não comparecem quando o debate é aberto.


Querem apoio quando a casa é atacada, mas não fortalecem estrutura nenhuma antes do problema.


Querem respeito, mas não ajudam a construir representatividade. E representatividade não nasce sozinha.


Ela precisa de gente.

Precisa de presença.

Precisa de organização.

Precisa de dirigentes dispostos a sair do isolamento e entender que a luta pelo respeito ao Axé não pode ficar presa apenas ao próprio terreiro.

É por isso que iniciativas como Federação Afro Brasil, Federação ATUCO, CONEAFRO, Contabilidade para Terreiro, Raízes da Umbhanda e Jornal do Axé precisam ser observadas com atenção.

Elas não se limitam a reagir depois da dor. Buscam criar informação, orientação, legalização, comunicação e caminhos para que o religioso participe da solução antes que vire vítima de mais uma agressão.

Porque a pergunta não é apenas quem se manifestou.

A pergunta é: o que foi construído depois da manifestação?

Houve orientação?

Houve reunião?

Houve material informativo?

Houve encaminhamento?

Houve mobilização?

Houve continuidade?

Ou foi apenas mais um grito que desapareceu quando o assunto deixou de dar audiência?

O povo de terreiro não pode viver de espasmos de revolta.

Precisa de constância.

Precisa entender que cada compartilhamento útil, cada leitura feita, cada reunião frequentada, cada documento regularizado, cada orientação repassada e cada instituição séria fortalecida é parte da proteção coletiva.

Chega de esperar a próxima tragédia para agir. Se a comunidade quer ser respeitada, precisa se organizar enquanto ainda há tempo.

Se quer ser ouvida, precisa participar.

Se quer ser protegida, precisa se preparar.

E se quer cobrar atitude, também precisa ter atitude.


Esta matéria faz parte de uma série especial do Jornal do Axé para chamar o povo de terreiro à responsabilidade.

Não basta fazer barulho depois da agressão.

É preciso construir força antes dela.


Compartilhe esta publicação com seus amigos, grupos e redes sociais.

Informar e orientar também é uma forma de participar da solução.


Comente no  Jornal do Axé, mande sua sugestão e apresente propostas.

Este espaço está aberto para quem quer fortalecer o Axé com responsabilidade, participação e atitude. LEIA O ARTIGO 1

REDAÇÃO |JORNAL DO AXÉ

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