FALHAR COM SEUS COMPROMISSOS, FALTAR COM A VERDADE E AGIR COM DESRESPEITO. É POSTURA DE RELIGIOSO?
- Redação Jornal do Axé

- há 5 dias
- 3 min de leitura
QUANDO O RELIGIOSO DEVEDOR ATACA QUEM COBRA: O CASO QUE EXPÕE UM PROBLEMA DENTRO DO AXÉ

Dirigente religioso acumulou pendências em federações, foi cobrado e depois usou as redes sociais para acusar as instituições. Até onde vai a liberdade de expressão e onde começa a tentativa de inverter os fatos?
Uma discussão pública envolvendo um dirigente religioso de Minas Gerais e duas federações nacionais trouxe à tona um problema que raramente é debatido com clareza dentro da comunidade do Axé: o associado que recebe atendimento, utiliza serviços, deixa de cumprir os compromissos assumidos e, quando é cobrado, passa a apresentar-se como vítima de perseguição.
Segundo documentos e informações administrativas apresentados pelas federações envolvidas, o dirigente aderiu inicialmente à Federação ATUCO em fevereiro de 2024, mediante um plano com duração de 36 parcelas. Apenas seis teriam sido pagas. Após cobranças, tentativas de negociação e oportunidades de regularização, permaneceu um débito que posteriormente foi encaminhado para negativação no valor de R$ 3 mil.
Meses depois, o mesmo dirigente filiou-se à Federação Afro Brasil. De acordo com a instituição, recebeu acolhimento, atendimento e apoio administrativo. Nesse segundo vínculo, foram pagas 13 parcelas, permanecendo posteriormente uma pendência que teria resultado em nova negativação, no valor de R$ 4,5 mil.
O episódio ganhou dimensão pública quando o ex-associado passou a comentar em publicações da Federação Afro Brasil, acusando as entidades de perseguição, desorganização e falta de legitimidade.
As federações reagiram, afirmando que não houve perseguição, mas cobrança de obrigações livremente assumidas.
Em manifestação pública, o dirigente declarou:
“Minha manifestação é baseada na minha experiência como ex-associado. Durante o período em que participei, efetuei os pagamentos que me foram cobrados. Tenho o direito de expressar minha opinião e relatar os fatos como aconteceram.”
POR OUTRO LADO: As entidades, por sua vez, sustentam que a afirmação não corresponde integralmente aos registros administrativos. Segundo elas, houve pagamentos parciais, parcelas não quitadas, oportunidades de acordo, notificações e negativações formalizadas.
A questão central, portanto, não está em saber se alguém pode criticar uma federação. Pode. Toda instituição deve estar aberta ao questionamento. O problema começa quando uma cobrança documentada é apresentada publicamente como perseguição, sem que sejam mostrados comprovantes capazes de demonstrar a quitação integral das obrigações.
As federações afirmam possuir contratos, fichas de filiação, registros de pagamentos, notificações e documentos relativos às negativações. Também informam que uma terceira entidade, a CONEAFRO, identificou as pendências durante consulta administrativa realizada antes da conclusão de uma nova filiação.
Quadro documental da reportagem
Filiação: 09/02/2024
Plano informado: 36 parcelas
Parcelas pagas: 6
Negativação: 04/03/2026
Valor informado: R$ 3.000,00
Filiação: 17/09/2024
Parcelas pagas: 13
Negativação: 20/01/2026
Valor informado: R$ 4.500,00
Posição das federações: existem contratos, registros financeiros, notificações e documentos administrativos.
Direito de resposta: permanece aberto para apresentação de documentação objetiva que contradiga os registros fornecidos pelas entidades. contato.jornaldoaxe@gmail.com
O caso provoca uma pergunta incômoda: até que ponto a comunidade religiosa pode permanecer em silêncio quando alguém utiliza instituições, deixa compromissos em aberto e depois busca credibilidade atacando justamente quem realizou a cobrança?
Entidades religiosas não sobrevivem apenas de discursos, certificados ou fotografias. Elas precisam de estrutura, funcionários, assessoria jurídica, contabilidade, atendimento e recursos para servir aos associados. Quando alguém utiliza essa estrutura e não cumpre o que assumiu, o prejuízo não recai apenas sobre a direção. Ele atinge todos aqueles que pagam corretamente e mantêm o trabalho funcionando.
Isso não autoriza linchamento público, exposição desnecessária ou julgamento sobre a fé de ninguém. Mas também não obriga as instituições a permanecerem caladas diante de acusações que afirmam ser falsas ou distorcidas.
O Jornal do Axé entende que o episódio precisa ser tratado com responsabilidade, transparência e documentos. As federações apresentaram sua resposta com comprovante sobre tudo e estão abertas a respostas de forma pública e comprovar. O dirigente citado também deve ter espaço para demonstrar, por meio de recibos e comprovantes, que os valores cobrados e que o termo de vínculo associativo foram integralmente pagos, caso essa seja sua posição. Não pode querer dar desculpas ou ampliar acusações falsas, porém merece respeito e espaço para sua defesa, caso tenha, ou que pague e se retrate.
A verdade não será determinada pelo comentário mais agressivo, pelo maior número de seguidores ou pela narrativa mais conveniente. Será determinada pelos documentos. As federações, dentro do sigilo e respeito à privacidade, nos enviaram e não podemos publicar. Cabe ao mestre Sivaldo a oportunidade de replicar ou se desculpar.
Este caso ultrapassa uma discussão individual. Ele alerta para um comportamento que prejudica toda a organização religiosa: assumir compromissos, usufruir da estrutura, abandonar as obrigações e depois transformar a cobrança em suposta perseguição.
No Axé, liderança não é apenas título. É postura, responsabilidade e exemplo.
Manifeste-se, você conhece. os envolvidos?
Deixe abaixo seu comentário e seja responsável por ele. REDAÇÃO |JORNAL DO AXÉ







Comentários