Saberes da cozinha de axé chegam ao debate sobre segurança alimentar em Maceió

O Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Maceió – CONSEA Maceió, vinculado à SEMDES, o Núcleo de Direitos Humanos e Diversidade Étnico-Racial do Ministério Público do Estado de Alagoas – MPAL, a Escola Superior do Ministério Público de Alagoas – ESMPAL e os Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana junto ao Ministério Público realizam o I Encontro Municipal de Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, onde participantes apresentaram propostas de horta comunitária e compras coletivas, além de compartilhar conhecimentos das Iabassês.

A alimentação nos terreiros é conhecimento, cuidado, memória e partilha. Essa dimensão esteve no centro do I Encontro Municipal de Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, realizado pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), em 16 de outubro, em Maceió, com participação presencial e on-line. Com o tema “Inovar hoje, alimentar o amanhã”, o encontro reuniu lideranças religiosas, gestores públicos e pessoas interessadas em discutir a segurança alimentar e nutricional, considerando os saberes ancestrais e as necessidades das comunidades de matriz africana. A programação também incluiu uma conversa sobre propostas para o Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional. Ministério Público do Estado de Alagoas
Entre as ideias apresentadas pelos participantes estão a criação de uma horta comunitária voltada aos povos e comunidades de matriz africana e a organização de uma cooperativa para compras coletivas de animais destinados às obrigações religiosas. São propostas que levam ao debate público as práticas e demandas das comunidades, e que podem ser consideradas na construção de políticas de segurança alimentar que respeitem suas tradições.

A presença das duas Iabassês também teve importância especial. Na cozinha de axé, o preparo dos alimentos exige conhecimento sobre ingredientes, modos de fazer, preceitos e fundamentos religiosos, transmitidos entre gerações. Esse saber foi compartilhado à mesa como parte da contribuição das comunidades para o encontro.
Em muitas casas de matriz africana, cozinhar para o sagrado é entendido como um ofício e um cuidado espiritual. A preparação requer atenção e respeito aos fundamentos de cada casa. O alimento pode cumprir funções distintas na vida do terreiro: compõe práticas religiosas, nutre as pessoas e fortalece laços de convivência e solidariedade.
É nesse contexto que a cozinha do axé ocupa um lugar central. Dentro de uma casa de matriz africana, o alimento marca o início e a continuidade de muitos trabalhos e momentos coletivos. Para quem vive essa tradição, alimentar também é preservar conhecimento, manter vínculos com a ancestralidade e compartilhar com a comunidade.
A discussão dialoga com o direito humano à alimentação adequada, previsto no artigo 6º da Constituição Federal. Durante o encontro, representantes do MPAL defenderam que as políticas públicas considerem também os aspectos culturais, ambientais e tradicionais de cada grupo.
A notícia do Ministério Público informa ainda que Maceió não conta com um Conselho Municipal de Igualdade Racial e destaca a importância da participação dos povos de matriz africana nos espaços de controle social já existentes. Ministério Público do Estado de Alagoas
O encontro reforçou que segurança alimentar não se limita ao acesso à comida. Para os povos de terreiro, o debate também envolve respeito à cultura, valorização dos saberes ancestrais e participação efetiva na formulação das políticas que afetam suas comunidades.
A cozinha de axé alimenta corpos, preserva histórias e mantém saberes vivos. Ouvir quem guarda e transmite esses conhecimentos é parte essencial da construção de políticas públicas que respeitem os povos e comunidades tradicionais de matriz africana.

Ekedy Omi Afefé - Nadja Maria Da Silva Cabral
(82) 99615-8202 - nadjacabral45@gmail.com
Maceió - AL




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