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Religioso isolado, desinformado e ausente: será você a próxima vítima?

  • Foto do escritor: Redação Jornal do Axé
    Redação Jornal do Axé
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura
Antes de começar a leitura ou ouvir esta matéria, preste atenção nesta orientação: ao final do artigo, você encontrará a indicação de um livro e-book gratuito, feito para ajudar religiosos, dirigentes e comunidades de terreiro a conhecerem seus direitos, entenderem seus deveres e saberem como agir em várias situações do dia a dia.
Religiosos

Existe uma pergunta que muita gente só faz quando o problema já bateu na porta: “e agora, quem pode me ajudar?”


O erro está justamente aí. Procurar apoio depois que a casa virou alvo é correr atrás do prejuízo. Quando uma denúncia falsa aparece, quando o vizinho começa a perseguir, quando a fiscalização chega, quando um filho problemático ameaça, quando a intolerância vira agressão, o dirigente precisa estar preparado. E preparo não nasce no susto.


O religioso isolado acredita que sua casa se basta. Acha que, porque tem fundamento, fé e trabalho espiritual, está protegido de tudo. Mas o mundo de fora não funciona assim. O terreiro existe dentro de uma cidade, dentro de leis, dentro de relações com vizinhos, órgãos públicos, comunidade, documentos e responsabilidades. Quem ignora isso deixa brecha.


A desinformação é uma das maiores fragilidades do povo de terreiro. Muitos sabem conduzir uma gira, cuidar de filhos, firmar sua tradição e respeitar seus fundamentos, mas não sabem como responder a uma notificação, registrar uma ocorrência, montar uma documentação básica, agir diante de um fiscal ou buscar apoio institucional. E quando não sabe, fica vulnerável.


Também existe o religioso ausente. Aquele que reclama que ninguém faz nada, mas não participa de nada. Não vai aos encontros, não lê as orientações, não acompanha as discussões, não fortalece nenhuma instituição, não compartilha informação útil e só aparece quando a tragédia acontece. Depois pergunta por que a comunidade é fraca.


A comunidade não fica fraca por falta de fé. Fica fraca por falta de organização.


É preciso entender que participação também é proteção. Quando o dirigente se aproxima de uma federação séria, de uma instituição de apoio, de uma contabilidade especializada, de um canal de orientação e de espaços de debate, ele não está perdendo autonomia. Está fortalecendo sua casa. Estar junto não significa abrir mão do seu fundamento. Significa não caminhar sozinho diante dos problemas do mundo real.


O preconceito sabe onde atacar. Ele percebe quando a casa está isolada, quando o dirigente não tem apoio, quando ninguém sabe o que fazer e quando a comunidade só reage depois da dor. Por isso, a pergunta do título precisa ser levada a sério: será você a próxima vítima?


Não como ameaça. Como alerta.


Se a sua casa ainda não está regularizada, se você não sabe quais documentos precisa ter, se não conhece seus direitos e deveres, se nunca participou de uma orientação, se não sabe a quem recorrer e se acha que tudo isso é exagero, então talvez seja hora de parar e pensar.


Iniciativas como  Federação Afro Brasil, Federação ATUCO, CONEAFRO, Contabilidade para Terreiro, Raízes da Umbhanda e Jornal do Axé  existem justamente para provocar esse movimento de consciência. A proposta não é esperar o terreiro ser atacado para depois lamentar. É informar antes, orientar antes, organizar antes e fortalecer antes.


Porque, quando a agressão acontece, o tempo da prevenção já passou.


O povo de terreiro precisa sair do isolamento. Precisa transformar indignação em presença, medo em orientação e reclamação em participação. Quem se informa, se protege melhor. Quem participa, fortalece a comunidade. Quem escolhe uma estrutura séria, deixa de depender apenas da sorte.


Esta matéria faz parte de uma série especial do Jornal do Axé para chamar o religioso à responsabilidade. Não basta torcer para que nada aconteça. É preciso agir para que, se acontecer, sua casa não esteja sozinha.


Compartilhe esta publicação com seus amigos, grupos e redes sociais. Informar e orientar também é uma forma de participar da solução. Comente no Jornal do Axé, mande sua sugestão e apresente propostas. Este espaço está aberto para quem quer fortalecer o Axé com responsabilidade, participação e atitude.

REDAÇÃO |JORNAL DO AXÉ

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